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terça-feira, 17 de maio de 2011

It's politics, stupid...


Estamos na ressaca do memorando, e prestes a entrar em mais um período eleitoral, mas desta vez num clima pesado, tenso, e tudo porque desta vez não vão poder prometer mundos e fundos ao eleitorado. Acabaram-se as promessas de crescimento da economia, da criação de 150. 000 postos de trabalho, convergência com os congéneres europeus, e demais ilusões que eram propagandeadas!

As pessoas sempre optaram por enfiar a cabeça debaixo da terra e como se diz na minha terra "nunca pior", já há vários anos que corria o rumor, que um dia isto ia ter que ter um fim, mas até que esse dia chegasse toda a gente caminhava alegremente para o dito abismo, cujas as verdadeiras consequências, ainda não as sentimos.

Esta intervenção externa, é em primeiro lugar um atestado de incompetência aos nossos dirigentes políticos, e um verdadeiro ataque à classe média com os aumentos de impostos previstos no memorando, e anunciados como sendo um bom acordo pelo primeiro ministro demissionário, num golpe de marketing político muito bem engendrado.

Mas estamos perante um reajustamento de uma economia, que vive em demasia à sombra de um estado despesista, corrupto, e desajustado a uma economia de mercado inserido na zona euro. Ora na minha muito humilde opinião o reajustamento económico, vai ser duro, porque vai originar desemprego, e sintetizando vai mergulhar a economia numa recessão, que terá como consequência um progressivo empobrecimento do país.

No espectro político as coisas não são muito mais animadoras, até porque os "vendilhões do templo" estão de mãos e pés atados, apesar de haver alguma margem de manobra dentro do acordado com a troika.

Chegados a este ponto, e com umas eleições a caminho, como é que se justifica as sondagens que dão um empate técnico entre os partidos do bloco central?

Como é que é possível, estes resultados de um líder que está invariavelmente ligado à quase bancarrota de Portugal, e que segundo a lógica deveria ser punido severamente pelos eleitores. Ora podemos ser tentados a pensar que estamos perante estudos de sondagens manipulados! Sim, não sendo totalmente descabido este mesmo argumento não chega por si só, existem outros motivos que justificam estes resultados.


I - Passos era até à poucos meses detentor de um crédito político muito significativo, até que, e após vários Pecs, e num golpe teatral conjunto com Sócrates, decidem lançar o país em eleições. Fica logo no ar as dúvidas se era realmente o timing certo para mergulhar o país na actual situação, que apesar de tudo era inevitável. Para não falar do aumento do IVA, da escolha de Nobre, que é mais um sintoma da ingenuidade e falta de visão política do líder, e da máquina partidária do PSD.

Agora e chegado o momento de se começar a discutir os programas, eis que o PSD, acena com uma medida (Pelos vistos imposta pela troika, e negociada pelo PSD), que para mim, e até que me convençam do contrário, é de um provincianismo ideológico gritante, que é a redução da TSU, na actual conjuntura, com isto alegando que dada a impossibilidade de colocar em prática políticas monetárias, aplicaria-se uma desvalorização fiscal. A ideia é boa, mas falta explicar os moldes de como se vai aplicar, e como é que se compensa esse dinheiro, e sobretudo qual o real impacto sobre a economia e emprego.

Muito provavelmente não sabe explicar, porque se trata de uma medida puramente ideológica e liberal com poucos efeitos práticos, e mais uma vez, fica latente a imaturidade e falta de confiança nas propostas do PSD, e por aí se vai vendo o modo como o PS obtém aqueles resultados nas sondagens.


II - Sócrates de potencial candidato para "queimar" dá por si a disputar eleições, e verdade seja dita que não precisa de muito, tendo em conta as trapalhadas e contradições que vão surgindo do outro lado da barricada. Mas o problema é que se discute uma hipotética reeleição do PS, como se nada tivesse acontecido, como que intervenções externas fosse uma coisa natural.
Mas então isto, não será uma das maiores humilhações impostas a um estado soberano!? Como é que um ministro das finanças vêm para uma televisão dizer que não controla em absoluto as finanças do país!? E por aqui me fico.....


III - Portas de "besta a bestial" limita-se muito habilmente a seguir o seu instinto, que lhe diz que é necessário ponderação e bom senso no modo como se vem a terreiro propor medidas. Já viu que o eleitorado da direita e esquerda centro, não está particularmente impressionado com a capacidade política de Passos, e que pode conquistar uma grande franja de eleitorado. As sondagens assim o confirmam, dando aso a que o mesmo se aspire a ser o novo chefe de governo.

IV - Louçã deu tiros nos pés, e está a despertar para dura realidade que vai ser a de perder força no Parlamento, e de entregar de mão beijado o país à direita.

V - Jerónimo, igual a si próprio, nunca serão alternativa.

Vai ser necessário refundar o modelo de desenvolvimento económico do país, e para tal conhecendo um pouco do conteúdo do memorando, poderá ser este acordo uma oportunidade única para se proceder ás reformas estruturais do que o país tanto necessita, dado é sensato reconhecer, que não é fácil, reformar um Estado afogado em vícios, clientela partidária e interesses corporativos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Portugal o novo motor da Europa ou apenas um PIG!?

José Sócrates e Passos Coelho durante a reunião desta manhã em São Bento


A boa noticia e confirmando-se as previsões económicas, é que Portugal contra todas as expectativas, surpreendeu pela positiva, apresentando uma taxa de crescimento de 1,7% no primeiro trimestre, tornando-se o país com o maior crescimento registado na zona euro, superando inclusive os EUA. (A China é a próxima a ser ultrapassada)

De acordo com os dados, o crescimento é resultado de um aumento do consumo por parte das famílias, e das exportações.

Estou certo que não deixa de ser uma boa noticia, mas que tem que ser recebida com muita cautela.

A má noticia, é que o primeiro ministro, veio já anunciar um novo pacote extraordinário de medidas de austeridade, com vários agravamentos ainda que transitórios de impostos, com o objectivo de levar o défice das contas públicas para os 4,6% em 2011.

Resta então saber, que impacto vai ter este conjunto de medidas sobre a economia real, uma vez que vai haver uma nova retracção no consumo e desinvestimento público (Sou a favor de obras de proximidade, entenda-se saneamento básico, requalificação do parque escolar, de esquadras, hospitais etc.).

De todas as medidas negociadas entre o bloco central, a que eu realço, é a redução em cerca de 5 % nos salários auferidos pelos políticos, gestores públicos e BOYS em geral. (RTP e Companhia)

Esta ténue tentativa de tentar conferir alguma credibilidade aos nossos governantes, peca pela inconsequência , eu diria mesmo que é uma completa imoralidade, face aos constrangimentos financeiros que muitos portugueses que auferem ordenados mínimos, estão a suportar.
Estes senhores se querem merecer o respeito de qualquer trabalhador ou empresário no actual cenário, teriam de pelo menos cortar em cerca de 50% dos seus ordenados, e mais tarde, caso obtivessem resultados positivos voltar a recuperar parte do dinheiro que perderam.

Chama-se a isto trabalhar por objectivos, com sentido de Estado.

A realidade é que aumentar as receitas por via do aumento dos impostos, é a solução mais fácil, e que não obriga a fazer grandes estudos. O líder do PSD, falou em cortes no lado da despesa, mas o facto é que não se viu nada de concreto.

Para terminar, já há muito que se falava e antevia um cenário de recessão e de um inevitável corte nas despesas do estado, e foi preciso como já referi no post anterior uma ingerência de Bruxelas para por termo ao devaneio das grandes obras públicas, mas talvez a situação das contas do estado, possa ser um problema resolvido, caso as finanças do nosso país fique sujeita a auditorias realizadas pelos organismos da UE.

Mais um belo atestado de incompetência, passado aos governantes portugueses.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Orçamento de Estado


Durante a semana passada muito se discutiu sobre as linhas orientadoras da política do governo em matéria orçamental, e a falta de entendimento entre as diferentes bancadas partidárias, antevendo muitos com esta falta de acordo o colapso do governo, e quem sabe mais umas eleições antecipadas. Resumindo mais trapalhada a caminho.

Dada a condição minoritária dos socialistas, coube então ao executivo essa árdua tarefa de encetar negociações à direita, dado que já era mais do que assente a indisponibilidade dos partidos de esquerda (PC e BE) para chegar a qualquer tipo de acordo. Enfim o mesmo de sempre, nem vale a pena fazer mais comentários.

Pensava eu, que a coisa iria ser complicada dado que o PSD e a sua líder ainda não tinham digerido a derrota das últimas legislativas, restando apenas por exclusão de partes o nosso CDS/PP, que poderia então viabilizar o OE.

Bem, e assim foi, o CDS lá manifesta a sua disponibilidade para negociar, impondo as suas condições, fazendo o que se exige aos partidos da oposição neste tipo de situações, que é de negociar e tentar ao máximo fazer valer o seu programa com que se apresentaram ao seu eleitorado nas ultimas eleições.

O moribundo PSD enfim, e dado o protagonismo do CDS, lá vem a público deixar claro que é um partido com sentido de responsabilidade, e manifesta a sua abertura para deixar passar o OE.

Mais uma vez fica bem patente, a falta de visão estratégica dos seus líderes do PSD, razão pela qual obtiveram aquela estrondosa derrota nas últimas eleições.

No meio desta trapalhada acabei por ficar intrigado com toda aquela entrega e troca de elogios mútuos entre esses dois vultos da política (Socas e Paulinho).

Pensei eu com os meus botões, este acordo com o Paulinho “trás água no bico”! Será que aquilo dos submar…não pode ser!

Quanto ao OE, desconheço o conteúdo, se é bom ou se é mau, não faço a mínima ideia, o facto é que o país não pode estar em suspenso. Espero que no meio disto tudo haja estadistas preocupados com o rumo que a nossa tão maravilhosa pátria está a tomar.

Mesmo assim arrogo-me a comentar, que se fossem os outros a fazer se calhar não seria melhor.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

A face nada oculta de Portugal

João Rendeiro

O título é sugestivo, e não se preocupem porque não vou fazer nenhuma revelação acerca do dito caso que faz correr "rios de tintas" nas redacções dos nossos espaços informativos, até porque os coitadinhos são inocentes até que provem o contrário.

Agora que estamos quase em 2010 e passado mais um ano rico em peripécias vou então eleger os casos da alta finança tuga como os acontecimentos do ano de 2009 a 2030, ano em que finalmente com os recursos e tal, o caso vai prescrever, isto se eles não forem absolvidos por falta de provas.

Os casos financeiros, do BPP e do BPN, isto para não falar de outros, causam-me uma perplexidade assustadora dada a ausência dos mecanismos punitivos do estado. Ora em vez de punir exemplarmente como aconteceu no país do músculo, aqui esses senhores gozam de uma clarificadora impunidade, que diz muito do estado lastimável em que se encontra o aparelho judiciário, que aplica a sua mão pesada ao desgraçado.

Mas não posso esquecer da (des) regulação do BdP, (sem esquecer a CMVM que até teve de escrever uma carta a pedir desculpas ao ex do BPP) dado que mais uma vez, estamos perante instituições que servem apenas para pagar ordenados milionários aos senhores de Lisboa, deixando de lado os fins pelas quais elas foram criadas, o tal interesse publico.

Mas se estas instituições têm responsabilidades numa primeira instância, a tutela também a têm. E por cá, lá vamos assistindo à vergonhosa actuação dos nossos dirigentes políticos que tem nas mãos um caso que eles não fazem a mínima ideia de como resolver. e como não sabem lá vão tentando ludibriar as pessoas com falsas promessas.

Mais um caso que vai ganhar bolor na arrecadação do Tribunal.

Bom ano de 2010 para o Dr. Oliveira e Costa que deve estar com uma mantinha sobre as pernas em casa a ver o programa do Goucha, e para o Dr. Rendeiro que deve estar a escrever mais um livro sobre culinária.