sexta-feira, 4 de junho de 2010

terça-feira, 1 de junho de 2010

"Morreste-me" de José Luis Peixoto

Dedicado ao meu Avô.

"Pai. A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O céu desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Translúcida, adormece um sono cálido nos olhares. Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos e, seguindo regras certas, regavas as árvores e as flores do quintal; e tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda cá ver, rapaz. E mostravas-me. Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Pai. Tudo o que te sobreviveu me agride. Pai. Nunca esquecerei."

José Luís Peixoto In Morreste-me

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Sugestão Musical


Recomendo, uma agradável surpresa. Não os conhecia, até ao dia em que por acaso vi a actuação deles na Fnac de Braga. Muito competentes e profissionais para o facto de estarem actuar naquele espaço, com uma plateia tão pequena.

Bom fim de semana!


PS. Este comentário não tem nada haver com o assunto, Santana Lopes comentou na RTP a vinda do Papa.

Portugal o novo motor da Europa ou apenas um PIG!?

José Sócrates e Passos Coelho durante a reunião desta manhã em São Bento


A boa noticia e confirmando-se as previsões económicas, é que Portugal contra todas as expectativas, surpreendeu pela positiva, apresentando uma taxa de crescimento de 1,7% no primeiro trimestre, tornando-se o país com o maior crescimento registado na zona euro, superando inclusive os EUA. (A China é a próxima a ser ultrapassada)

De acordo com os dados, o crescimento é resultado de um aumento do consumo por parte das famílias, e das exportações.

Estou certo que não deixa de ser uma boa noticia, mas que tem que ser recebida com muita cautela.

A má noticia, é que o primeiro ministro, veio já anunciar um novo pacote extraordinário de medidas de austeridade, com vários agravamentos ainda que transitórios de impostos, com o objectivo de levar o défice das contas públicas para os 4,6% em 2011.

Resta então saber, que impacto vai ter este conjunto de medidas sobre a economia real, uma vez que vai haver uma nova retracção no consumo e desinvestimento público (Sou a favor de obras de proximidade, entenda-se saneamento básico, requalificação do parque escolar, de esquadras, hospitais etc.).

De todas as medidas negociadas entre o bloco central, a que eu realço, é a redução em cerca de 5 % nos salários auferidos pelos políticos, gestores públicos e BOYS em geral. (RTP e Companhia)

Esta ténue tentativa de tentar conferir alguma credibilidade aos nossos governantes, peca pela inconsequência , eu diria mesmo que é uma completa imoralidade, face aos constrangimentos financeiros que muitos portugueses que auferem ordenados mínimos, estão a suportar.
Estes senhores se querem merecer o respeito de qualquer trabalhador ou empresário no actual cenário, teriam de pelo menos cortar em cerca de 50% dos seus ordenados, e mais tarde, caso obtivessem resultados positivos voltar a recuperar parte do dinheiro que perderam.

Chama-se a isto trabalhar por objectivos, com sentido de Estado.

A realidade é que aumentar as receitas por via do aumento dos impostos, é a solução mais fácil, e que não obriga a fazer grandes estudos. O líder do PSD, falou em cortes no lado da despesa, mas o facto é que não se viu nada de concreto.

Para terminar, já há muito que se falava e antevia um cenário de recessão e de um inevitável corte nas despesas do estado, e foi preciso como já referi no post anterior uma ingerência de Bruxelas para por termo ao devaneio das grandes obras públicas, mas talvez a situação das contas do estado, possa ser um problema resolvido, caso as finanças do nosso país fique sujeita a auditorias realizadas pelos organismos da UE.

Mais um belo atestado de incompetência, passado aos governantes portugueses.



terça-feira, 11 de maio de 2010

Sugestão Musical




Recomendo........................

terça-feira, 20 de abril de 2010

O Monstro


Angela Merkel

Caros leitores.

Como é do conhecimento geral, a nossa pátria atravessa uma das mais complicados crises, com o Monstro (défice orçamental) a não dar tréguas, e a precisar de uma banda gástrica urgentemente, sob pena de lhe dar o fanico, dado o problema de obesidade mórbida, que ao que parece é crónica.

Contenção, parece quanto a mim, ser a palavra de ordem, no sentido de se procurar e alcançar o equilíbrio das contas do Estado, de modo a devolver confiança aos agentes económicos, e transmitir alguma credibilidade ao exterior de forma a captar investimento, e deixar os senhores das agências de renting a dormir descansados.

As badaladas agências de renting, que até agora não se ouvia falar, e que deram um precioso contributo para a crise do sub prime americano, que teve os efeitos que toda a gente conheceu, continuam descrentes quanto à capacidade de Portugal em resolver o problema do défice das contas do Estado, tendo decidido para tal baixar a notação de Portugal.

Meus caros, eu não pertenço a nenhuma dessas agências que se limitam a especular, e que tem interesses duvidosos, e quanto a mim deveriam ser sancionadas pelo comportamento asqueroso que tiveram no passado recente, mas o facto é que até, eu baixava o renting da dívida pública portuguesa face ao comportamento do governo.

Em primeiro lugar atendamos ao desempenho da economia nacional dos últimos anos, e não estou a falar das últimas décadas.

Portugal salva raras excepções, sempre apresentou crescimentos anémicos, medíocres face à média dos congéneres europeus.

Temos uma economia extremamente dependente do Estado, daí que eu acho que vivemos num Estado semi-comunista, em que este, está presente onde não deve, e ausente onde deve, isto muito por causa das famosas privatizações, de sectores estratégicos, que outra hora pertenceram ao Estado, e que sucessivamente foram sendo alienados muito por falta da capacidade visionária dos nossos políticos, que se movem na penumbra, e que mais tarde vão ocupar cargos nas administrações dessas empresas. (Uma forma de trair a Pátria)

Em segundo lugar, como é possível que no actual contexto financeiro e económico, o Governo tenha vindo anunciar que pretendia avançar com as megalomanias, como a construção do novo aeroporto, Tgv, a nova ponte sobre o Tejo, alegando que com estes investimentos (aplicava a teoria Keynesiana), iria dar o impulso necessário para que a economia recuperasse parte dos empregos perdidos. (Um modelo económico mais que esgotado. Um insulto à inteligência dos portugueses)

Sr. PM em traços muito gerais, penso que o caminho mais natural e razoável que se deve tomar nesta altura, é fazer esta equação muito simples, "se não há dinheiro, não há vicio".

Felizmente a chanceler Angela Merkel veio dar um puxão de orelhas a Sócrates, mostrando-se indisponível para os seus devaneios, tendo imposto ao governo português um necessário aumento da carga fiscal (aumento do IVA) para cumprir as regras do pacto de estabilidade e crescimento.

Srª Merkel um obrigado sincero pela ingerência.






quarta-feira, 7 de abril de 2010

Into the Wild - Trailer




Um grande filme.

É impossível ficar indiferente a um filme como este, que obra do acaso não foi galardoado com um oscar.